quinta-feira, julho 30, 2020

Até ontem estava tudo bem


           Estava tudo bem com o que a gente chama de "É massa o que temos", com as histórias mais engraçada das coisas que já fizemos e com os encontros repentinos que nunca nos fizeram cair sobre saídas monótonas. Estava tudo bem, até termos aquela conversa na noite passada e de me tomar toda a sanidade que já estava completando abalada e fazer minha cabeça não parar de pensar em nada além de você.

Estava tudo bem com toda aquela coisa que eu criei, com o meu plano de "a gente não combina - sabemos disso - nunca vamos nos envolver" desse certo, e toda aquela coisa de relacionamento fosse parte de algo que nunca aconteceria com a gente.

E falar "a gente" dói a alma, falar "a gente" faz com que a gente realmente exista, e perceber isso dói o estômago, dói no fundo do peito e por falar em dor. Dói tudo.

Estava tudo bem até você falar sobre os seus sentimentos. A confusão em que ele te toma e a conclusão que aquilo te atormenta.

Estava tudo bem até ontem a noite enquanto a gente assistia um filme ridículo comendo uma pipoca sem gosto, das risadas sobre o tal filme ridículo comendo uma pipoca sem gosto. E dos comentários sobre o tal filme  ridículo comendo uma pipoca sem gosto.

Estava tudo bem antes daquele vinho na praia, antes do barulho das ondas do mar que ecoava no fundo daquela música enquanto dançavamos. Estava tudo bem antes daquela dança, daquele gole, daquele beijo, daquele enredo. Daquele encontro.

Estava tudo bem até você bater a real e eu perceber que bem era só a minha atuação de fingir não sentir nada por você.






domingo, maio 24, 2020

Jogo de queimado


       Eu fujo de relacionamentos como fujo da bola do jogo de queimado na escola aos 13 anos. Ela era certeira, como se estivesse uma ligação recorrente entre a gente. E uma bolada talvez fosse uma ótima desculpa para um atestado em que eu não precisasse mais participar da aula de educação física. A única diferença entre fugir de um relacionamento e fugir da bola de queimado, é que a bola de queimado tinha o seu lado bom. 

Consegui manter alguns relacionamentos em uma certa distância com um simples "tenho outras prioridades agora", mas logo depois eu descobri que isso também poderia afetar os "que amam ser desafiados", e tive que mudar a minha estratégia. 

Com o tempo eu comecei a ouvir de amigas o quanto elas queriam ser que nem eu. Sobre não conseguir manter um relacionamento digno de um sofrimento pós termino, e me auto nomearem a "que não se apega". E eu me auto nomear "sou isso mesmo", como algo no qual, devo admitir, me orgulhei. 

Perdi as contas de quantas vezes eu fui chamada de "fria e sem coração". E de tanto ouvir isso, acreditei que essa era a minha definição e entrei no jogo em que apenas eu e o meu super ego inflável participava. Foi caindo nessa que o meu papel se fez presente em todas as minhas contidas e inúmeras histórias. Era só perceber que de alguma forma um coração se tornava instável, que eu corria como quem corre da bola de queimado na escola aos 13 anos. E devo confessar, o coração instável nunca era o meu. O que fez com que eu acreditasse mais ainda naquela bolha que se formava sobre esse coração em que nomearam como "pedra". 

Coração de pedra. Mais um nome para o meu acervo de apelidos sobre alguém que dizem "não sentir". Mais um nome que eu adotei para a minha carreira de atriz, que passou a ser o protagonista do "não se iluda, por que ela não tem coração". Papel no qual, tomou conta de mim. 

Houve um ano em que eu colecionei pedidos de namoro, foram 6 para ser mais exata. Seis pedidos rejeitados sobre alguém que não tinha nenhuma noção do que estava fazendo, mas tinha certeza de que um "não" era a melhor resposta. Ser pedida em namoro é um fato um tanto quanto histórico, negar um pedido de namoro é um ato um tanto quanto peculiar, e rejeitar seis pedidos de namoro em apenas um ano, é alguém chamando o meu nome para receber o prêmio Nobel. 

Quando tudo passou. Quando toda a minha trama se perdeu em mim. Me coloquei em um elo junto com tudo o que achava sentir, e me joguei em um poço sem fim no espelho sujo do meu closet onde as lágrimas passaram a ser as únicas protagonistas. 

Se sentir só não fazia parte do jogo de queimado. Sentir o coração bater mais forte a cada vez que a bola chega perto e ter a sensação de que tudo está por um fim no segundo em que o jogo vira e é você quem está por cima e queima alguém. Não é nem de longe a adrenalina de se estar apaixonado.

 O espelho em que me vejo, me mostra o quanto fraca sou para esse jogo. O olhar do desejo da paixão de quem me olha, me diz que não estou preparada para esse jogo. O sentimento que corrói por dentro e dói aqui, bem na alma. Me diz que para se queimar, precisa entrar no jogo.

Hoje eu senti falta de mim

Hoje foi um daqueles dias em que não queria existir. Queria voltar a dormir depois de ser acordada às seis da manhã, manter o sono profundo que já se distanciou tanto para ter uma lembrança, sonhar com qualquer coisa que não tivesse um choro de criança e poder me espreguiçar diante de tanta preguiça acumulada. ⠀
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Hoje foi um daqueles dias em que eu só queria fugir, retornar ao meu sonho de adolescente e vender a minha poesia na beira da praia, desfrutar de um bom e velho livro na rede na varanda de casa, admirar o por do sol enquanto escrevo na areia e andar apressada antes de ser devorada pelas ondas do mar.⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Hoje foi um daqueles dias em que eu só queria voltar um pouco no tempo, levar uma bronca por estar dormindo na aula, encontrar meus amigos para tomar uma nas quartas, e desfrutar de uma boa e velha insônia sem medo do outro dia.⠀
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Hoje foi um daqueles dias em que eu respirei fundo e respirei de novo. Contei até 10 antes do próximo choro e aceitei que ser mãe, também é sentir falta de si.
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Hoje eu percebi que me culpar por isso é uma completa falta de tempo. Aceitei o fato do que realmente está doendo, e me entreguei até a dor de cabeça que já mora em mim. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
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Hoje eu tive vontade de ser eu e aprendi que não há mal nenhum nisso.

Esses olhinhos


   




Eu, meus textões e a dúvida de que alguém realmente vai ler. Escrever sempre foi meu passa tempo, e tempo agora é o que eu não ando tendo. Escrevo menos do que gostaria, entre uma mamadeira ou outra de Elis e a espera para aquele sono profundo onde é certo de que não vai acordar quando for para o berço. Sem contar nas tentativas falhas, onde as palavras são esquecidas e eu já não lembro mais onde é o lugar certo de por a vírgula. A maternidade chega e carrega a sua memória. Me esqueço da água fervendo no fogão, da torneira ligada porque sai correndo para acalentar um choro, até de calçar os pés para uma ida ao pediatra. As tentativas são ocupadas por um "Que horas que ela comeu mesmo?" ou se devo acordar ou não para alimenta-la. São 24 horas de momentos bizarros, onde dou risada e choro ao mesmo tempo em frente a um espelho. A mente é ocupada por um cansaço tão profundo que já não consigo mais pensar direito, são pausas diárias de qualquer atividade que eu venha tentar fazer. Desde lavar a mamadeira ou ajeitar as unhas. E me pergunto o que fazia com todo esse tempo? Dormir é a melhor resposta. E por falar nisso, que saudade que eu tenho de uma dormida sem pausa ou de um sonho sem fraldas. É doloroso tentar manter a ordem, até aqui. Comecei falando sobre escrever e acabei mudando de assunto. E  agora esse é o único assunto no qual eu consigo permanecer. É confuso, é duro, é assustador. Mas esse olhinhos... vocês já viram esses olhinhos? Até esqueci sobre o que estava escrevendo.

Como "num" filme

       Sempre imaginei meu parto como nos filmes, que tolice a minha, não queria me prender a realidade. A bolsa iria estourar no meio de um mercadinho, minha preocupação seria com quem vai limpar a sujeira que fiz e correria para o carro a caminho do hospital. Mas nem tudo é como a gente idealiza. 

Eu não faço compras, minha bolsa não deu sinal e Elis não estava afim de nascer. Esperta desde a barriga, claro. Eu também não iria querer conhecer o lado de fora. Mas também já não aguentava o mundo sem ela nos meus braços.

41 semanas, mochilas no carro e esperança zero. Era certo que o medico me mandaria de volta para casa, mas para surpresa de todos, ele trouxe Elis a vida. Com seus 3.310 kg e 48 cm. Ela nasceu de uma cesáreana, as 21:57hrs de uma terça-feira, 29 de janeiro de 2019. 

Aquariana, chorona e linda. 

E eu boba, frágil e inerte. 

Hoje faz uma semana do seu nascimento e realmente não foi como nos filmes. Nem o melhor diretor do mundo conseguiria descrever tamanha perfeição.

Contagem regressiva



Pela medicina são vinte e sete semanas.
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Na tabela gestacional é o sétimo mês.
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No site acabei de entrar para o terceiro trimestre. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
No aplicativo são cento e noventa dias.
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Mas mesmo assim quando me perguntam não sei o que responder.
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Na minha cabeça é uma eternidade.
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Na ansiedade eu já chorei por imaginar ela entrando na escola.
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Pelo enxoval eu gostaria que durasse mais um ano.
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Pela falta de ar queria que isso terminasse hoje mesmo.⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
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A foto é de um mês atrás.
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A barriga está maior do que agora. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Na imagem tem uma bela forma escura se fingindo de plena.
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Na realidade tem uma bela rechonchuda tentando levantar da cama. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Na escrita vemos nitidamente uma gestante sem ter o que fazer.
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No texto sem sentindo vemos a falta do que escrever.
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Então vou permanecer aqui.
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Ansiosa.
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Rechonchuda.
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Plena.
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Esperando acontecer.

Menino ou menina?


               São 14:00 da tarde, o sol está tão quente lá fora que consigo ver as pessoas se escorando em uma sombra. É uma segunda-feira, 17 de setembro. O dia em que eu disse não querer que chegasse, chegou. Eu, que na primeira ideia pensei em só descobrir o sexo do bebê no parto, me encontrei desesperada na sala de espera com os olhos esperançosos quando a atendente vinha com uma lista na mão no qual o meu nome não era o próximo. Fui a ultima a ser chamada, claro, não teria como ser diferente já que cheguei tão atrasada.
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- Leina Lima Costa, é você? A senhora é a próxima. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Descobrir o sexo de um filho nunca foi pra mim uma prioridade, mas ninguém me avisou que a gravidez carrega com ela um poço de ansiedade. Eu já fiz e desfiz toda a decoração do quarto, já fiz todo o enxoval em um site americano no qual eu não vou comprar, já organizei as prateleiras do guarda roupa que ainda nem pintou e já fiz umas inúmeras listas para o chá de fralda. Os nomes. Ah, os nomes... Estão na ponta da língua esperando a notícia que finalmente vai fazer eu parar de chamar a minha barriga de bebê. 

Entro na sala. 

O médico tenta me explicar cada pedacinho daquele ser. O desespero passa ao ouvir o som do coração batendo. O pai ao lado não tira os olhos daquela tela como se estivesse entendendo tudo. E eu por um momento até esqueci o que estava fazendo ali. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

- Está tudo bem com a sua bebezinha.
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Sim, ele disse inha.
Uma bebezinha.
Minha Elis.
O desespero voltou. 
Será mesmo que eu tenho capacidade de criar uma mini me?

quarta-feira, janeiro 24, 2018

Primeiro amor



   Um dia desses lendo um livro de Paulo Coelho a seguinte frase me chamou atenção. "Um primeiro amor pode não passar nunca, mas acaba sempre." E ao questionar se um dia eu conheci realmente o amor, me peguei pensando em você. 
Pensei em você como meu melhor amigo, em um dia de sábado escondidos no estacionamento do shopping só para poder comer umas esfirras sem ser incomodado por nenhum amigo xepeiro. 
Pensei em você quando me chantageou para ir a uma festa, "Se você não for eu nunca mais falo com você" E eu saí de casa escondida porque minha mãe havia me colocado de castigo.
Pensei em você quando em um abraço apertado no meio de um jogo de escola, te olhei com outros olhos, e finalmente descobri o que chamam de "um frio na barriga".
Pensei em você como meu namorado, quando um dia tentou ficar com uma amiga minha só para me fazer ciúmes, e me contou só para me fazer raiva. 
Pensei em você quando terminamos e pela primeira e única vez te vi chorando de joelho para um retorno em que nunca aconteceu. 
Pensei em você quando decidimos ser só amigos, e me convenceu a ir em uma festa na sua casa onde puxou a cadeira ao teu lado para que eu pudesse sentar mais perto, onde me agradou o dia inteiro para que eu aceitasse o seu beijo. 
Pensei em você no nosso último encontro, na promessa que fiz em "Nunca mais vou sair com você" e no arrependimento dessas palavras. 
Pensei em você quando nos esbarrávamos na faculdade, usando o seu boné branco com um caderno na mão, um sorriso no rosto e um "oi" de educação. 
Pensei em você como meu amigo, como meu namorado, como meu ficante, como meu ex, como meu amante, como meu carma, como meu conhecido, como meu ódio, como meu amor. 
Pensei em você de tantas maneiras, que já não consigo pensar em você como alguém que já se foi. 
"Um primeiro amor pode não passar nunca, mas acaba sempre"
Meu primeiro amor pode já não estar mais aqui, mas estará para sempre comigo.

sexta-feira, janeiro 19, 2018

2018



Ano novo 
E aquele clichê todo 
Promessas inacabaveis 
E ilusões incontáveis 

Um fim nas coisas tristes 
Onde o rancor se guarda distante
Mas não é esquecido 
Onde a esperança se vê bem de perto 
Mas não é esperada 

A gente pede tudo de bom 
Sete ondas
sete pedidos 
Vários desejos
E alguns impossíveis 

Poe uma fruta na carteira 
Coloca uma calcinha vermelha 
E espera o amor chegar
Talvez ele esteja ali 
Mas você não viu passar 

Toma um champanhe 
Brinda com amigos 
Brindes com desconhecidos
E abraços no vizinho 

Deseja paz 
Deseja dinheiro 
Deseja e pede o tempo inteiro 
E agradece nas horas vagas 

Cabeça no travesseiro 
Pensando sobre os devaneios 
E tudo o que aconteceu o ano inteiro 
Talvez faça diferente 
Talvez permaneça igual 

Dorme 
Acorda 
Dor de cabeça 
Ressaca 
"Bebi demais" pensou 
"Feliz ano novo!" Lembrou
Era 2018, mas nada mudou

Era um ano novo, e permaneceu ali
Talvez mude alguma coisa 
Se a vontade não for só de pedir 
Talvez mude alguma coisa 
Se a coragem permitir 

"Feliz ano novo!" Lembrou 

Eae, além de pedir 
O que vou fazer por mim? 

quinta-feira, dezembro 14, 2017

Também estou pensando em você




Olho para o relógio e o ponteiro esta marcando 00:00, lembro de quando la na adolescência os números iguais significavam alguma coisa. 
"Ele esta pensando em mim" pensei. 
Mas ele quem? me perguntei. 

Ele que me ofereceu um drinque, descobrindo minha facilidade com o álcool concluindo o encontro com um jantar pago. 
Ele que nem se interessou em ver meus devaneios, partiu logo em desespero para a próxima vitima que cairá em sua lábia. 
Ele que me abordou no meio de um sonho, me fazendo acreditar no reencontro e acordei no desespero tentando dormir outra vez.
Ele que me acordou com um bom dia, perguntou se tinha passado a noite bem e desapareceu assim que o final de semana começou 
Ele pode ser quem for, em meio a tantos que nunca voltou, esse, o outro, aquele, ele, você, que me paquerou no sinal vermelho e eu desviei o olhar fingindo me arrumar no retrovisor. 

00:15 
Eu não ainda não descobri quem é você 
00:16 
Me ligou 
"Quero te ver" Eu ouvi 
Descobri que ele é aquele que ainda não se foi.  

segunda-feira, dezembro 04, 2017

Me chama pra ir junto



Vi que você está viajando, sorrindo em uma foto com seus amigos. Acho que foi para alguma festa, não sei se volta amanhã ou vai passar o resto das ferias. Não sei se encontrou um novo amor na balada e a chamou para um passeio juntos, talvez ela te convide para conhecer a cidade e você aceite, goste, e fique um pouco mais por aí. Possa ser que ela te faça um café da manhã com suas frutas favoritas e uma rosa artificial da decoração do hotel. Você vai gostar de ter alguém que aprecie o seu hálito de manhã e vai promete-la uma massagem assim que se encontrarem de novo. Você vai voltar, e talvez, em alguma data qualquer a chame para vir.

Um dia a gente vai se esbarrar por aí, vamos falar como estranhos e passar ressentimentos em um simples "oi". Nem parece que em algum momento o "eu te amo" era tão presente em nossa história. Aquele "oi" vai machucar. O tempo pode ser bom para algumas coisas, mas quando se trata de amor, tudo que é sentido fica ali guardado e a gente finge que não se importa porque quer acreditar que já passou. Mas ao te ver, eu sei que o coração vai bater mais forte, o "tudo bem" sairá trêmulo e a resposta não passará de uma balançada na cabeça de nervosismo. Eu vou mentir que estou ocupada e me apresso, quando no fundo, queria um abraço apertado e um beijo na testa. Chegarei em casa e contarei para as minhas amigas como você continua cheiroso. Você vai chegar em casa e vai chamar pra sair a primeira que aparecer. 

Talvez por querer a atenção de alguém 
Talvez por querer esquecer aquele encontro 
Talvez só para poder usufruir da carência de quem vem 

A gente se esconde com outros encontros, planejamos tanto outros abraços, confiamos tanto em outras palavras, iludindo tanto quem nos acalma, que no final, a gente só se engana.

Eu podia te falar que estou com saudade 
Você podia dizer que sente minha falta 
Mas juntos, permanecemos calados

Nesse dia, se houver esse dia, eu vou te amar baixinho
E vou lembrar de como eu queria te desejar uma boa viagem, esperando o convite pra ficarmos juntos outra vez.

quarta-feira, novembro 29, 2017

Lembrei de você quando esqueci de mim




Esta chovendo la fora 
O barulho dos pingos do telhado 
O vento que bate na minha janela 
O frio que me arrepia o corpo inteiro 
A simples chuva que acontece la fora 
Me lembra você 

Aqui, no escuro do meu quarto 
No cobertor mais confortável que insiste em ser o mais velho 
Na cama aconchegante com todos os travesseiros a minha volta 
Alguns guardanapos amassados e jogados no chão 

Sujos 

Das lagrimas 
Do sofrimento 
Do meu rosto 
Do tempo 
Da dor 
Do passado 
Que me lembra você 

Você que tanto disse que queria ficar 
Tanto insistiu em dizer que estava errada 
Que me convenceu de que estava certo 
Que me envolveu nos teus braços 
Que me corrompeu com mentira 
Que me fez acreditar que era verdade
Que me atirou em medo ao novo 
E me derrubou novamente ao inseguro

Você que não merece ser lembrado 
Me fez chorar, de novo 
Quando lembrei que esqueci de mim 


domingo, setembro 03, 2017

Vinte e dois





Vinte e dois de amores 
Rumores 
Caídas 
Bebidas 
Projetos 
Vinte e dois de começos 
Desleixos 
Apegos 
Crenças 
Afetos 
Vinte e dois de idade 
Coragem 
Vaidade 
Orgulho 
E sucessos 
Vinte e dois de mim 
Com alguns retrocessos

segunda-feira, agosto 28, 2017

SE..




É tão louco pensar que talvez ainda estivesse aqui
Se não fosse a minha loucura
Se não fosse a sua mentira
Se não fosse a minha carência
Se não fosse a sua doença
Se não fosse o meu amor
Se não fosse a sua vontade de fugir dele
Talvez, ainda estivesse aqui

Se não fosse o tempo
Se não fosse as diferenças
Se não fosse a distancia
Se não fosse as desavenças
Talvez, eu ainda estivesse ai

Se não fosse a chuva
Se não fosse o pneu furado
Se não fosse o trabalho
Se não fosse o carro
Se não fosse a aula
Se não fossem as desculpas

Se não fosse você
Se não fosse eu

Talvez, a gente desse certo.

quinta-feira, agosto 24, 2017

Acreditei

   

Eu que já não creditava mais no amor, te amei baixinho na calada da noite tentando esquecer a musica de Nando Reis que passou a fazer sentido. Te amei escondido enquanto te olhava dormir fazendo carinho nos seus cabelos, te amei na manhã da sua partida sofrendo porque já estava na hora de ir 

Eu que nunca acreditei em amor a distancia, viajei 5 horas ao lado de uma senhora que me contou a historia da sua vida inteira mas esqueceu de falar seu nome, fiz de uma nova cidade minha segunda casa e acreditei me sentir melhor lá, do que aqui, e quando voltava, os emails de desconto de passagem era o que mais me interessava. 

Eu que nunca acreditei em contos de fada, acreditei no seu sorriso quando ia me buscar, acreditei nas flores da bandeja do café da manhã, acreditei quando abriu a porta do carro para que eu pudesse entrar, acreditei no te amo junto com o pedido de desculpa, acreditei na carta escrita a mão, acreditei nas palavras e nos dias

Eu que nunca acreditei em nada, acreditei em você
Me fazendo desacreditar em tudo de novo


segunda-feira, maio 16, 2016

Falando de você



Não existe um dia se quer em que eu não pense em você. 
Uma foto repentina que aparece na minha timeline, um perfume parecido com o seu, uma shineray fazendo zoada no meio da rua, o número quatorze e várias outras coisas que você proporcionou na minha vida durante esses nove anos.

Mas hoje, pensando em todas essas coisas eu me dei conta de que não adianta lamentar pelo que já se foi. Não quero lamentar a sua ida, nem pelas minhas lágrimas derramadas, não quero lamentar por mais nada, quando tudo o que precisa é de orações positivas de onde estiver. Hoje, eu quero lembrar de você como quando te conheci, com seu sorriso frouxo nos lábios e o jeito pouco delicado de mostrar afeições por alguém.


Mas justo hoje eu não quero falar de você, quero falar de mim. Quero falar da garotinha que te esperava da janela enquanto nem sabia da sua existência. Quero falar das minhas ilusões quando você por fim causou a minha primeira decepção amorosa e fez com que eu nunca deixasse ninguém tomar o seu lugar, quero falar dos meus erros, dos meus acertos, dos meus medos, da minha juventude e de quem eu era. Quero falar de quem me tornei ao tentar me libertar de você. Quando só agora me dou conta de que você se encontra em todas as minhas lembranças.


Não existe um dia se quer em que eu não fale o seu nome em uma mesa de bar. O assunto pode ser qualquer um, os ouvintes podem ser desconhecidos, mas você se encontra lá, e ouço a sua voz dizendo que não gosta de me ver beber. 


E você se encontra em todos os lugares. Desde o dia em que dei o meu primeiro beijo até o dia em que entrei pra faculdade. Você estava ali, como sempre esteve. E hoje estou aqui, como sempre falando de você. Mas logo hoje que eu só queria falar de mim.

segunda-feira, abril 25, 2016

Criança



O que foi que o tempo fez
Alem de passar? 
Se ao continuar a brincar
A saudade ainda cresce 

O que foi que o tempo fez 
Alem de sarar as feridas 
Secar as lagrimas escorridas
E fazer sorrir ao invés de chorar 

Criança 
O que foi que o tamanho fez 
Para tentar esconder o que és de verdade

Criança 
O tempo passou 
Adulta ficou 
Não negue para a natureza 
O que te restou 

Alem das cicatrizes, criança. 
O que foi que o tempo fez?

segunda-feira, abril 04, 2016

Primeiro de abril


Queria que fosse mentira tudo o que realmente já ouvi nesse dia, pessoas mentem tanto o tempo todo, porque eles também não mentiriam? E ao te ver pedindo pra voltar em um sonho eu simplesmente não me movia, e me pergunto como seria se tudo o que vivi fosse diferente. Em que lugar eu estaria?
Queria que fosse mentira a dor que senti ao te perder, a lágrima que escapou e as noites de insônia com você.
Queria que fosse mentira quando me pergunto se ainda lembro do teu rosto e ao olhar o seu retrato, me lembro bem até do seu abraço.
Queria que fosse mentira esse dia, quase em LUTO. Com meus amigos contando piada e eu tentando achar alguma graça.
Queria que fosse verdade o sonho da noite passada, em que você sorria de longe e eu só te olhava. 
Mas a única verdade que tenho é que saudade não acaba.

sábado, março 05, 2016

Eu me rendo



Em meio as minhas confusões mentais
Eu me rendo
Ao amor que fugi
Ao sentimento que nunca senti
E a verdade em que nunca acreditei

Eu me rendo a você
Amor que nunca amei
Eu me rendo ao prazer
De me render
Ao que nem acredito

Não acredito porque um dia me rendi
Sem nem entender
O que era de verdade
E olha que novidade
Conheci o sofrer
Que me tornou o que sou
Sem que eu saiba o que quero
Me rendi ao amor

E olha ele ali
Não é lindo se render?
Ou prefere continuar a sofrer
Pela mesma dor. 

quarta-feira, fevereiro 17, 2016

Passado




E fui assim com a mesma cara lavada de sempre porque não quero parecer que passei horas no espelho me arrumando pra você. Decidi que seria contraria, e continuo sendo. Com havaiana no pé e cabelo molhado ouço o seu chamado.
Meu coração dispara porque sou mesmo uma tola, com tantas outras vindas e aparições surpresas eu ainda não me acostumei com o fato de que o porteiro não interfona. Chegou de surpresa, e eu, feito uma graxeira. 

Não sei se você sabe, mas sempre que vai embora dou risada sozinha em frente ao espelho. Acho engraçado como o tempo brinca com as pessoas, é que de fato, algumas coisas mudaram mas você continua sentado no meu sofá tomando uma cerveja. É estupido como consegue se enrolar com as atitudes e é lindo como tenta me enrolar com as palavras. Esqueço que não acredito, e me convence. Quando não há nada para ser interpretado.

Dai um dia eu chego e me deparo com a realidade de que talvez você nunca tenha estado realmente aqui, mesmo com o seu perfume ainda exilando no meu quarto, ouvindo você dizer que Caetano te assusta. Quem você pensava que era pra reclamar no meu vinil no plastico?

Ainda olho pra ele e lembro de você, junto com seu sorriso sínico e o perfeccionismo louco, que afinal, era tudo o que tínhamos em comum. E então, em que momento você deixou de ser o cara por quem eu deveria me apaixonar e passou a ser uma surpresa ao visualizar uma mensagem sua em uma segunda feira? Já não era mais presente, virou passado. 

Um passado que eu ainda não tinha me tocado que um dia poderia acontecer. E me cubro de historias para lembrar e um aprendizado pra seguir. Porque afinal, você ate que foi bom pra mim, mesmo sem um dia ter sido algo.