São 14:00 da tarde, o sol está tão quente lá fora que consigo ver as pessoas se escorando em uma sombra. É uma segunda-feira, 17 de setembro. O dia em que eu disse não querer que chegasse, chegou. Eu, que na primeira ideia pensei em só descobrir o sexo do bebê no parto, me encontrei desesperada na sala de espera com os olhos esperançosos quando a atendente vinha com uma lista na mão no qual o meu nome não era o próximo. Fui a ultima a ser chamada, claro, não teria como ser diferente já que cheguei tão atrasada.
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- Leina Lima Costa, é você? A senhora é a próxima. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Descobrir o sexo de um filho nunca foi pra mim uma prioridade, mas ninguém me avisou que a gravidez carrega com ela um poço de ansiedade. Eu já fiz e desfiz toda a decoração do quarto, já fiz todo o enxoval em um site americano no qual eu não vou comprar, já organizei as prateleiras do guarda roupa que ainda nem pintou e já fiz umas inúmeras listas para o chá de fralda. Os nomes. Ah, os nomes... Estão na ponta da língua esperando a notícia que finalmente vai fazer eu parar de chamar a minha barriga de bebê.
Entro na sala.
O médico tenta me explicar cada pedacinho daquele ser. O desespero passa ao ouvir o som do coração batendo. O pai ao lado não tira os olhos daquela tela como se estivesse entendendo tudo. E eu por um momento até esqueci o que estava fazendo ali. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
- Está tudo bem com a sua bebezinha.
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Sim, ele disse inha.
Uma bebezinha.
Minha Elis.
O desespero voltou.
Será mesmo que eu tenho capacidade de criar uma mini me?
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