Mas, quem é que sabe?
Você sabe?
Estou na piscina, acabei de me mudar e não conheço ninguém desse prédio. Olho pro alto e vejo meu apartamento no decimo andar. Tenho 9 anos, e nunca tinha morado em um condomínio com mais de 6 andares antes. Eu estava feliz, mesmo que tenha deixado meus antigos amigos para trás.
Meus amigos na verdade eram gente grande, que viraram mais amigos do meu irmão mais velho, do que meus. Mas mesmo assim, eu brincava com eles.
Uma menina me chama, e pergunta meu nome. Digo que acabei de me mudar, e ela, mais extrovertida do que eu, que sempre fui tímida, puxa assunto comigo.
Viramos melhores amigas, sim, amigas!
Amiga que hoje, depois de 10 anos, ainda me liga chorando pedindo um consolo.
Sou boa em dar conselhos, mas assim, digitando, não sou boa com as palavras que saem da minha boca. Muito pelo contrario, sou péssima. Parece que as melhoras coisas fogem e eu só consigo soltar um: Vai ficar tudo bem. O que não é muito mentira, mas é mais do que previsível. Sou péssima, mas pelo menos, sou amiga.
A nossa amizade é meio que distante, sem aquele mimimi todo de quando tínhamos 13 anos. Talvez hoje não haja mais aquela necessidade de falar aos ventos tudo o que se passa na sua vida. Desde o que comeu no café da manhã, ate o que namoradinho do momento falou sem querer na cama.
O tempo passou, e tanta coisa mudou.
Mas ainda estou aqui. Não no passado, nem no futuro. Estou no presente. Pensando somente em como ainda não fui atropelada por um caminhão, e nem ganhei na loteria.