quinta-feira, setembro 27, 2012

Conto de fada


   E ali estava ele com os cabelos ao vento, montado no seu cavalo branco, cavalgando pela floresta vazia com a sua espada pontuda e dourada, caçando alimentos para a sua amada e bela princesa. Foi quando se bateu em um tronco solto e deu de cara com o chão. Seu fiel escoteiro fugiu, sua lente azul caiu e seus cabelos belos e loiros ficaram da cor da lama. 
   "Ah, meu amado e belo príncipe, o que aconteceu? Como você esta?" 
   "Oh sua idiota não esta vendo não que eu acabei de cair daquela merda de cavalo que não sabe por onde anda, chegue logo, me tira daqui!"
   E acabou o encanto, que tal terminar de acabar com a ilusão também? já chega! Ate mesmo a Bela adormecida já acordou e você esta ai esperando pelo príncipe encantado ir te buscar de bicicleta. Com a sua havaiana na mão, tentando te acordar com um chupão no pescoço. A madrasta má já deve esta planejando um golpe para se livrar de você. Cuidado em? A próxima carruagem pode virar uma abobora depois da meia noite. Mas não se preocupe, os 7 anões estarão la para te apoiar e pagar o seu táxi de volta pra casa. E que tal um pedacinho de maçã  para compensar o resto do dia? Opa esqueci, a fruta é venenosa. Então vamos atacar o chocolate? "É que, não é uma boa ideia sabe, ele engorda." "Não tem problema não, a fada madrinha pode alargar o seu vestido para o famoso baile, quem sabe ela também não encurta mais um pouquinho, e poe um belo de um decote na frente." "E oque o príncipe vai achar disso?." "Ah, o príncipe primeiro tem que procurar o seu próprio encanto, depois ele te acha. Esta vendo aquele belo cavalheiro ali? Ele não para de olhar pra você, vai la e tenta. E se caso ele virar um sapo antes da hora, vá se acostumando, esse tipo de coisa acontece na vida real." 

sábado, setembro 22, 2012

Sonho vocacional



Quando criança, sonhava em ser dançarina do Faustão, mas aqueles corpinhos perfeitos e os movimentos corretos me faziam desistir. Depois eu pensei que ser ginasta me traria grandes benefícios  e eu fui a primeira da classe a conseguir escalar. Mas alguns animais sofriam ao ter que me largar, e sinceramente? Ser veterinária não era ainda o que eu queria. Meus cadernos eram cobertos de textos e folhas arrancadas, decidi ser escritora e publicar um livro. Apesar de achar que nenhum texto meu fazia muito sentido. Eu não sabia viajar sem cantar e compor ao mesmo tempo com a cabeça fora da janela, só que em algum momento eu cresci e passei a ter vergonha daquilo. Fiz da minha cama uma passarela e desfilei junto com a Gisele Bündchen na TV, pena que eu desenvolvi no busto um pouquinho a mais do que o esperado. Me chamaram de conselheira, e por algum momento eu pensei que poderia ajudar as pessoas com os seu problemas. Hoje eu curso o segundo período de psicologia, e descobri que quem mais precisa de ajuda sou eu. 
Alguém um dia me disse que não é só de sonho que se vive, mas que é preciso de um sonho para viver. Eu não tenho um sonho. E nunca fui muito de pensar no que fazer do futuro. Hoje me arrependo. Aquela responsabilidade e força de vontade nunca existiu por aqui, não me julgo péssima, mas me julgo sem motivos. Sem motivos para seguir em frente nessa nova jornada que me surpreende. Mas esse mesmo alguém também me disse que antes de pensar em desistir, tem que aprender a tentar.
Não estou com todas as minhas forças, nem com todo o meu conhecimento, mas estou tentando agora.

domingo, setembro 16, 2012

Faltou a cor.



   Bermuda de surfista, camisa maior que o corpo, que jeito estranho de andar. Ponho um salto alto e fico maior que você. Tipinho esquisito de ser. Bem diferente deles. Não me refiro aos homens, estou falando dos que foram. Bonitinhos, riquinhos, playboyzinhos, metidinhos e iguaizinhos. Inhos, inhos, e inhos. Você é diferente. E veio diferente, e se foi diferente. 
   Eu estava perdida em alguma festa, e nunca tinha te visto antes. Você sabia meu nome, por algum motivo, e me chamou. Apareceu na minha frente tão rápido. Me beijou, sorriu e foi embora. 
  Um ano se passou. Nenhum 'Oi', nenhuma conversa, nenhum telefonema, nenhum email, nenhuma visita. Nada. Ate que veio o meu maldito mouse que clicou na sua janela, te respondendo a pergunta de uma amiga no msn. Que merda, janela errada. Rendeu assunto. "Oi, tudo bem? novidades? como anda? quanto tempo!" Foi assim que tudo começou. Você me fez rir na madrugada durante quatro meses todos os dias, ate as 5 da manhã. Me sentia uma garotinha no bate-papo com um estranho pedófilo se passando por um gringo bonito. A diferença era que eu te via todos os dias, com uma bagunça de plano de fundo, me oferecendo vinho no skype, que eu sempre esquecia a senha. Você estava longe, e eu cantei Madrid de Fernando e Sorocaba que você nem conhecia. Foram tantas brincadeiras, teatros, besteiras e varias risadas, separados por uma web e alguns quilômetros de distancia. Você me apresentou o sol lá, as três da manhã aqui. Me fez conhecer um lado da saudade que eu nem sabia que existia. Viramos amigos. No preto e no branco, sim, amigos. Eu sabia que quando voltasse tudo ia mudar. Você voltou, e mudou. Sem skype, sem web, sem distancia. E claro que não podia faltar o famoso... Sem você.
   Eu me perdi de novo em outra festa. Mas dessa vez você foi o motivo. Que me trancou, me beijou, e se perdeu junto comigo. A gente se encontrou algumas outras vezes, nada muito certo, nada combinado. Eu enxerguei você de longe caminhando na praia com os seus amigos. Acho que alguém comentou alguma coisa sobre mim, você me olhou, e sorriu. Lembro agora da gente andando contra o vento, com os pés na água. Tão distante do grupo que se reunia em uma fogueira, que já não era mais fogueira, era só uma luz vermelha no meio da praia, dando um efeito de distancia. Fomos longe, perdidos no tempo, e pensando no nosso futuro. 
   A gente se casou na praia, era tudo perfeito. Tivemos dois filhos, uma patricinha e um surfistinha. Não havia briga, nem separação. Só pensamentos realizados em palavras que foram trocadas em cada passo. Já não era mais tudo preto e branco, havia alguma cor ali. Só não sabia definir que tom era.
   Ainda tenho sonhos engraçados com você. Onde tudo esta voltado em apenas lembranças. Faz tanto tempo. Mas espero que esse tempo, não apague as historias boas que ficaram. E em um futuro curioso, eu me lembrarei de você com um lindo sorriso no rosto. Porque eu sei, ou melhor, a gente sabe que cada momento ali valeu pela onda que nos roubou aquele instante.
   Você mudou seu status, seu relacionamento. Eu disse que tudo ia mudar. Esse é o meu mal de acertar as coisas. Você não sabe, mas quando eu falei que tinha uma bola de cristal, eu não estava brincando. Meu cristal é forte, não quebra, não erra, só me avisa. Foi difícil, mas me conformei. Quando vi seu sorriso ao falar o nome dela pela primeira vez. 

terça-feira, setembro 11, 2012

Tonta ilusão



   Aquele olhar tão desejado e profundo, me lembrou do passado. O tempo parece que havia parado ali. Reconheci seu amor esquecido, e me dei conta do que o futuro esta planejando para nos dois. Ele me indicava sofrimento. Aquele que tivemos a dois anos atrás. Eu te olhei de volta e vi o tempo indo embora. Eu já não estava no mesmo lugar. Meus pés cruzados adormeciam. O calor bateu forte, e fez com que eu me arrepiasse com apenas um toque. E lembrei da nossa primeira vez. Havia amor, paixão, sentimento, prazer, emoção, dor. Tudo o que hoje já não há mais.
   Eu vim do passado, para alegrar esse presente. Aquele que o destino nos roubou. Ainda esta me olhando agora. Parece que não faltou nenhuma aula de como me deixar frágil e boba. Você aprendeu bem. E pós na pratica, o que na teoria já não existia mais. Meu cérebro já não conseguia mais reagir a nenhum movimento. E você me beijou. Foi ai que percebi que aquilo não passava de uma ilusão que criei, e tudo voltou ao normal.
   Você me perguntou o que estava acontecendo, eu queria te responder. Mas não podia te deixar perceber, o quanto aquilo foi tão irreal. Ao ponto de me deixar fugir da realidade.

domingo, setembro 02, 2012

Sete copos



   A historia deveria começar com um:" Eu estava bêbada dando uma de porteira em uma festa". Mas não iria cair muito bem. 
Se aquele sofá soubesse falar, eu diria que ele saberia de toda a minha vida. O que não seria tão difícil. Nos primeiros 10 minutos que te conheci, eu já havia te contado mais da metade. Isso me lembrou dos sete copos de palhinha. Não sei como aquele gostinho de menta me deixou tão azeda. Mas me conta, como você pode se aproximar de alguém com a minha historia de vida? louco! Deve ser. 
   As horas se passaram tão rápido, e só depois me dei conta de que não havia mais ninguém la. Só eu e você, o sofá e a minha historia, o meu broche quebrado e o palito de algodão doce. Não pensei que dali, fosse render tanta coisa. Aquele carinha legal que eu nem conhecia, se tornou o cara mais legal que eu já conheci. As mensagens fizeram da distancia uma enorme saudade, eu queria ter você cara a cara, olhando pra mim dando risada e me dizendo o quanto sou linda, o quanto sou lerda, o quanto sou besta. Foi ai que passou uma menina bem bonita, e falou com você. Eu queria ser aquele piso quebrado no chão que ela tropeçou. Só que eu fui boazinha e deixei a raiva comigo mesma. Hoje eu me arrependo. Não queria que percebesse que estava com ciumes, não de você. Pena que eu esqueci do quanto me conhece bem. E percebeu. E riu. E me fez acreditar que ia ser só meu. 
   O tempo passou, e nada do sentimento passar. Eu nunca conseguir entender o que é. É carinho. É amizade. É amor, não, não é amor. É querer ter. É querer saber como você esta e poder fazer parte da sua vida. É me sentir bem mesmo estando péssima. É abrir o maior sorriso do mundo só por saber que estou no mesmo lugar que você. É invejar seus amigos, sua família e sua roupa. É querer poder dizer que sinto sua falta. É querer te abraçar e ser jogada la no alto. É saber que nada ainda acabou. Eu deixei você ir embora. E tentei lutar contra a minha dor. Nada adiantou. Eu tinha que te deixar em paz. Então percebi que você não foi. E eu me senti uma mosca presa por uma criança dentro de um copo. Como eu saiu daqui? Pra que lado eu vou? Por onde ir? Estou presa! Não tem espaço. Não consigo mais respirar. Socorro! Tem alguem ai? Me tira daqui!
   Puf. 
   Eu nunca tive mesmo pena daquela mosquinha.
   Eu cheguei atrasada na festa, e você me roubou por mais de 1 hora. Me disse tantas coisas bonitas, fora de logica. Eu viajei pelo simples fato de que, nunca ninguém me disse nada daquilo antes. E me fez chorar de novo, de novo, e de novo. E te odiei. E te beijei. E te fiz acreditar que ia acontecer outra vez.
  Você não me ligou, eu não te retornei. Eu te mandei uma mensagem, e seus bônus acabaram. Olho por olho, orgulho por orgulho. E assim se passaram dois meses. Eu já havia me conformado com a ideia de que não tenho mais você. E ponho um pouco de Cássia Eller pra lembrar da nossa historia com pelo menos uma boa trilha sonora.
  Eu deixei você ir embora uma vez.. fiz você ir embora da outra vez. E agora? como posso pedi pra ficar. Estou triste. Não porque você se foi. Mas é que essa coisa de ir e vir, acaba com meu coração.

sábado, setembro 01, 2012

Vem, fica!



Final de festa, e nada de querer voltar pra casa. O sol mal apareceu e eu já havia te prometido a lua. O vento estava forte, tava frio e você me esquentou. Quem era você? que estava deitado no meu colo e depois me fazendo massagem. Quem era você? que eu tinha acabado de conhecer e parecia mais uma eternidade. Quem era você? que me pegou as 22 e me deixou as 20 do outro dia. Quem era você? Eu nem te conhecia e já estava no meio da sua sala conversando com sua mãe, que me perguntou como foi a festa. Você me ligou no outro dia, mandou eu me arrumar e disse que já estava chegando, eu não tive escolha. Sua casa é linda, seu sofá é lindo, sua cadela é linda, você é lindo.
Você é lindo e foi embora. Me parecia ser diferente, claro que ia me deixar. Mas assim, tão rápido? A gente se encontrou outras vezes, conheci sua família, seus amigos e seu sarcasmo. Ate que um dia você foi, e dessa vez, não voltou. Eu não havia apostado nada em você, afinal, já perdi todas as apostas. Mas e agora, Cade você? que me deixou acordada durante 24horas. Cade você? que me fez companhia junto com um açaí diplomata médio. Cade você? que se acabou de rir com as minhas loucuras. Cade você? quero acariciar suas costas e mexer no seu cabelo. Cade você? que tanto foi, que tanto voltou, e nunca veio.