quarta-feira, agosto 29, 2012

Mais um ano

    Eram quase 5 da manhã quando eu me acordei e não consegui dormir. Eu sonhei que tinha uma festa e ninguém vinha. Chorei. Chorei porque não tinha motivo pra chorar, nem pra sonhar, nem pra viver. É meu aniversário e ninguém vai me ligar pra falar que me ama, ninguém vai me acordar as 7 da manhã com presente na cabeceira da cama, ninguém vai me mandar flores na saída do colégio. É meu aniversário e eu não tenho ninguém pra misturar palhinha, red, vodka e beber comigo. É meu aniversário e ninguém vai bater na porta da minha casa duas horas antes da festa, bêbado, só pra me dar parabéns e me beijar no elevador. É meu aniversário e não tem ninguém pra me trocar por um jogo. É meu aniversário e ninguém vai fazer um discurso bonito e me fazer chorar. É meu aniversário e eu já estava triste as 5 da manhã. A nostalgia bateu, e cade aquelas pessoas que estavam comigo em momentos que pareciam ser eternos? Carência. Sofrimento. Dor. 
"Besteira.. deixa de drama Leina" Foi o que eu ouvi.
   Aquele abraço demorado e apertado, já me indicava que aquele alguem ali me amava. Eu passei a semana toda ganhando presente, do que estou reclamando? Não foi na porta do colégio, foi melhor, na porta da minha casa, de alguem que eu não esperava. Ganhei um vinho, e ele foi misturado com vodka, ice, cerveja, e coca-cola. Vocês chegaram atrasados e eu já estava bêbada. Não precisei de um discurso pra chorar, tenho mais de 100 recados no facebook de pessoas que eu nem falo direito. Dai eu lembrei o quanto eu gosto disso, e sorri. Sorri porque tenho motivo pra sorrir, pra sonhar e pra viver.

quarta-feira, agosto 22, 2012

Enviando..





Prezado Amor,

Sei que não é um bom momento, pois o Coração ainda esta se ajeitando aqui dentro. Mas gostaria de lhe informar, que caso você se manisfeste de novo, procure um bom Cupido para te ajudar. Pois o ultimo que me acompanhou era um péssimo profissinal. E, ao averiguar as informações, ele era cego, sujo e ingrato. No começo você ate me enrolou, mas depois de um tempo a Raiva começou a me visitar constantemente, era tomando minha coca-cola, passeando com o meu cachorro, conversando com meu vizinho. Ate trouxe de penetra a Lagrima, que enxaguou todo o meu sofá e ainda fez questão de manchar as paginas do meu livro. Eu ate me acostumei com o Orgulho, ele era pouco compreensivo e arrogante, mas era um cara legal. Só que quando a Tristeza bateu na porta, a festa começou. Foi mesa quebrada, cama desarrumada, porta travada, copo no chão, ate que o mundo desabou. CABRUM! Só sobrou a Frieza pra contar a historia. O que eu estou querendo dizer é que não quero mais rever esses velhos amigos, acredite, não é nada pessoal. É que estou precisando de tempo para me acostumar com a ideia de que não preciso mais de você. O Amor Próprio me falou que eu tenho motivos suficientes para a gente se afastar, e pode ficar tranquilo, pois sei muito bem que ele não é muito confiável. Eu não sei se te conheci o suficiente para te superar, mas o Rancor viajou ontem e não sabe quando vai voltar. Gostaria de te dizer que aprendi muito com você, e apesar de todos os medos, também aprendi a te respeitar. Só espero que não se esqueça de mim depois de todos esses anos que te neguei, e que aceite a minha opção de ter um novo cuidador. Estarei aguardando você na próxima visita.

                                                   com carinho, Solidão.

terça-feira, agosto 21, 2012

Game over

Ah, a gente cai, levanta, aprende, cai de novo, desaprende, chora, briga, promete que vai ficar longe, mas não fica. Incrível, não? Parece mais um imã, quando penso em não pensar, sua imagem aparece na porta da minha casa, deitado na minha cama, conversando com o meu cachorro. Mas eu não tenho cachorro, deve ser você. Só pode ser você, com essa cara de quem não quer nada, me olhando como quem quer tirar minha roupa. Socorro! Acaba logo com isso e vê se não demora pra voltar de novo. Ou melhor.. não volta. Daqui pra la espero já esta com outro.
E estive com outros. Ele ligava, perguntava se estava tudo bem, me abraçava na frente de todo mundo e me beijava como se cada toque fosse o primeiro. Foi quando você percebeu que eu estava aqui, e voltamos. Não por muito tempo. Do outro lado da rua vi seus dedos entrelaçados nos de outra garota, oque era aquilo seu filho da mãe, pode me explicar? Não, não explica, não quero piorar. Só me promete que aquilo não foi nada, que foi só uma ex-namorada que te procurou. Pode deixar que daqui a alguns horas a raiva passa, e você sera de novo o meu mais novo amor. E como sempre eu retornarei sua ligação, com a mão no coração desejando que ele pare de bater. Prometo que da próxima vez eu faço o contrario, arranjo um novo namorado e te dou um pé na bunda. Mas hoje eu quero aprender jogar esse jogo. Seremos só amantes do próprio corpo. E assim eu posso te deixar em paz. 
Um ponto pra você que me faz bem, e dois pontos pra mim que te faço melhor.
A verdade é que quanto mais quero distancia, mais eu te quero perto de mim. Hoje eu acredito no que me faz bem. Se não me fez bem hoje? ah, amanhã é outro dia.

sábado, agosto 18, 2012

O bar do lado


   Sou muito mais uma sexta em uma barzinho chinfrim, com um copo de cerveja, uma roupa destrambelhada e um brega no som do carro. Ninguém percebeu que eu estava com um furinho na blusa perto da manga. To preferindo ouvir uma conversa de bêbado que me faz rir, do que ir para um restaurante chique com mulheres me olhando e pondo defeito na minha roupa. Porque sim, é isso que elas fazem quando saem com as amigas, não sei como os homens se enganam pensando que a gente anda falando sobre eles. O dono do bar passou a ser mais meu amigo do que aquela que me chamou para dar uma volta no shopping hoje a tarde. É, claro que quando eu peço mais uma, ele diz: a senhora é quem manda. Eu não lembro de ter mandado em alguma coisa desde que passei uma tarde de babá com o filho da minha vizinha. Sabe aquele bêbado da sua rua que nem a própria mulher aguenta mais? é só pagar uma dose pra ele que ele fica legal e ainda te chama de madame. Entrei naquele bar sem conhecer ninguém, e sai amiga de todo mundo. No ultimo restaurante que fui com os amigos não consegui nem ir com a cara da garçonete. 
   Ah, cancele aquele sushi e me traga uns dois x-bacon sem salada, por favor.
   Agora eu lembrei dele indo embora, cade você que ainda não voltou? 
   Ei, volte aqui e traga mais uma rodada de chopp pra vê se essa ilusão acaba.
  Eu passo todos os dias por esses lugares e nunca tinha percebido esse aqui. Tem uma bêbada descendo ate o chão esfregando a bunda na de um outro cara. Todos que olham pra ela, com certeza, não tem bom gosto. Acho que esse lugar aqui não é pra mim. Meu copo continua vazio, sera que devo comparar ele com o meu coração? Vem o garçom, enche, e em cinco goles eu seco. Ele deveria voltar pelo menos pra tirar o copo de mim e pedir desculpas por não ter voltado.    Me disseram que o álcool não faz esquecer, mas perdi as contas de quantas garrafas já sequei, de quantos bares já entrei, e de quantas noitadas assim eu vou precisar. 
   O copo seco é que seca a minha lagrima.
 
Pare! Parar com oque? De me olhar assim. Mas eu só tenho esse olhar. Eu já disse para parar. Não quer que eu te olhe? Não com esse jeito. Que jeito? De quem vai embora. Eu não vou embora. É claro que vai. Eu não consigo parar. De me olhar? Não, de te querer. Eu disse que era para parar. Eu não estou te olhando. Mas ta me querendo. Não posso te querer? Nem me olhar. Então vou embora. É, eu disse que ia..

sexta-feira, agosto 10, 2012

Pai

   Seus olhos iluminados me traziam segurança, seu sorriso tão alegre me passava energia, sua barba crescendo arranhava ao me abraçar, mas la do alto eu não tinha como te larga. Seus alunos te respeitavam, e me olhavam desconfiados quando atrapalhava sua aula para te mostrar o meu mais novo desenho. Seus amigos eram tão engraçados e estranhos, hoje eu entendo o porque.
Você era tão inteligente, e no telefone eu imaginei suas lagrimas quando te dei a noticia: Eu reprovei. Você respirou, calou, e me fez chorar só por saber que te decepcionei.
Era prova de matemática quando acordei atrasada, e me assustei com a cena que vi. Oque aconteceu? Ninguém me respondeu. Eu não queria acreditar, eu não queria entender, ninguém podia me tirar você.
E você foi pra tão distante, me deixou na janela te esperando. E me apareceu em sonho. Você batia muito forte na porta, estava pedindo ajuda, meus pés não conseguiam sair do lugar e eu acordei.
Você faleceu. Nada foi tão duro quanto imaginar que não ia mais te ver, eu queria me arranhar na sua barba mal feita, queria brincar com as garrafas secas de cerveja que guardava no quintal, mas você não voltou.
Eu ainda estou na janela, dessa vez eu rezo pela sua paz, e te agradeço por ser quem era, por ser meu pai, por ser esse grande cara que eu vejo em retrato e me orgulho, me orgulho por ser sua filha, me orgulho por te amar.
Faz tanto tempo, mas parece que foi ontem. Você me abraçou, me beijou e disse que me amava.. pela ultima vez.

segunda-feira, agosto 06, 2012

Menina



Não, o mundo não é tão pequeno. Há tanta gente lá fora sofrendo, morrendo. Menina, não chora por nada. Me abraça! Que embora saiba que o seu amor se foi, há tanta gente lá fora que não sabe nem oque é o amor. Sorria menina, deixa a brisa do vento bater no seu rosto, da um passo na frente e novamente outro, que o destino te leva pra bem longe desse pensamento. Menina pequena, menina doce, leva com você um pouco dessa noite, e faça dela um aprendizado bom. Menina bonita, menina boa, saia dessa vida que só te magoa e deixa que o tempo faz o resto por você, menina.



sábado, agosto 04, 2012

Ja não era amor


   Eu já te amava vendo você limpando as mãos na bermuda quando acabou de comer todas as esfihas que comprei. Você era só meu! Quando na verdade eu não era dona nem de mim mesma.
   Já se passaram 3 anos, você continua o mesmo, mas já não nos conhecemos mais. E só agora percebo que nunca te amei. Seu olhar esquisito deixou de ser irresistível. Eu amava você escrevendo seu nome na parede de esmalte, eu amava você puxando a cadeira pro seu lado, amava seu sorriso falso e sua cara de pau, eu amava você me perguntando se realmente era aquilo que eu queria, quando na verdade eu só queria te amar. E na esperança de um “não vá”, eu recebi um refrão de uma musica que já não me recordo mais. E achei em você todo o amor que perdi, mesmo não me amando, mesmo não me querendo ali. Mas era você a única pessoa que podia me ajudar, e eu te amei mais que tudo e aquele amor só foi uma forma de fazer com que eu também fosse amada. Mas eu não amava você, eu amava o amor que eu tinha perdido, eu amava não sofrer pela perda de quem me amou, eu amava ter alguém pra amar, eu amava aquilo que já não era amor. E foi assim que eu não te amei, amando.