Quem me ver acha que eu sou sozinha. Mas é assim que eu me sinto quando espero demais de alguém que nem espera por mim. Eu estava sozinha no meio daquele salão enorme cheio de rostos desconhecidos, quando me dei conta de que eu não estava ali. Alguém distante gritava o meu nome, mas eu só ouvia o estrondo do som que me deixou surda por algumas horas. Alguns empurrões me tiraram do lugar, e tudo a minha volta se desfez no momento em que eu consegui abrir os olhos. Eu estava bem, porem não no meu estado normal. É que eu sou mesmo uma tonta, e vi o meu passado com outro alguém. Não foi ciumes, mas é que eu não consigo me acostumar com essa ideia de que as coisas mudam. O que um dia já foi a minha vida, hoje não passa de um retrato guardado no fundo do bau. Ninguém quer relembrar o passado, mas as vezes é bom limpar e organizar as pastas. Preciso garantir um espaço para o futuro. O problema é que eu me dou bem com a minha solidão. E aprendi que minha auto independência é muito mais do que dar uma volta na praia sozinha ou ir tomar um açaí na companhia de um fone, só porque ninguém quis ir comigo. Eu não nasci grudada com ninguém, e custo a acreditar que é impossível ser feliz sozinho... Eu sou sozinha, e sou feliz.
Sou feliz no meio do mato com os meus pensamentos grudados na planta que pisei. Ela não teve culpa, coitada. Mas meus olhos lacrimejam sobre o tempo ensolarado quando olho la pro céu. Tem alguém gritando de novo o meu nome, e percebo que o tempo aqui passou rápido demais. Sou feliz na fotografia que esta no retrato, com tanta memoria guardada, é ate engraçado o passado. Sou feliz brincando com meu irmão mais novo, são pouquíssimas a vezes, mas é quando eu posso. Acho que aprendi a ser só. Mesmo tonta, mesmo na multidão, mesmo no mato. Aprendi a me apegar a mim mesma quando na verdade eu não me apego a ninguém. Aprendi que não posso me esconder atrás do mundo, não posso viver sem que o mundo me veja. Aprendi que não posso me prender ao passado, não posso deixar que o passado viva o meu futuro. Aprendi que não posso me transparecer nas coisas, não posso me deixar aparente em tudo. Aprendi a valorizar menos as coisas, aprendi a viver sobre mim. Aprendi que entre amar ou morrer, eu escolho sofrer. Porque a cada sofrimento haverá uma lagrima, a cada lagrima haverá uma historia e a cada historia sempre haverá um novo começo.
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