segunda-feira, março 23, 2015

Minha permissão

   Sempre tento não me apegar muito nas coisas. As vezes acho que sou madura o suficiente para não me iludir demais. É como se de certa forma todo o sofrimento em que me veio a tona durante todo esse tempo me transformasse em uma pessoa diferente de quem já fui. Me sinto madura o possível para superar todo o meu drama de adolescente. Não me apego, não demonstro, não me entrego. 
   Acontece que, nem sempre fui assim. 
   Tenho 19 anos. Já me envolvi com tanta gente que me pergunto se precisava desse elenco todo em minha vida. E precisava sim. Fui sozinha durante quase uma vida inteira. E a partir da solidão, vinha a necessidade de ter pelo menos alguém em minha vida. Que foi o que eu fiz.
   Quando criança (como quase toda criança), eu sonhava com o amor da minha vida. Não tinha problema com a separação dos meus pais, porque desde que me conheço por gente, eles sempre foram separados. Eu sabia que tudo acontecia por algum motivo. Pelo menos tinha esse ponto em maturidade. E nunca me queixei. Mas acreditava no amor de verdade. 
Aquele de novela que todo mundo quer separar, mas eles sempre dão um jeito de ficar juntos e vivem felizes para sempre. 
Mas eu não contava com o depois. O depois em que eu só fui conhecer la pros quatorze anos de idade. Onde tive enfim, o meu primeiro amor. 
   A melhor parte dessa historia é a que fica antes de começar. Onde quando tudo é saudade, e você não sabe muito bem o que sente de verdade. A maioria das vezes me pegava pensando se de fato aquilo estava acontecendo. Pra mim, era só amizade. Mas aos olhos do meus conhecidos, era mais do que aquilo. E eu nunca enxerguei. Não queria enxergar.  
Há pouco tempo atrás diria que preferia que nunca tivesse enxergado. Mas como tudo o que acontece é porque tem que acontecer - Sempre tive esse pensamento - Eu digo que foi bom ter passado por tudo o que passei. 
Sofri sozinha, durante a maior parte da historia que se refere a mim, era como se fosse parte de tudo o que conheço. 
E faz parte de quem sou. Eu sou essa historia mal resolvida, que com o passar dos anos, me resolvi. 
Resolvi não tentar mais estabelecer uma coisa que não existia ali. E quando percebi, de fato, já não existia mais nada. Só o tempo, que passou e me levou o que eu mais temia. Levou os meus contos de princesa, minhas historias iguais as da novela. Levou tudo o que em mim já não se habituava. 
Mas depois percebo que simplesmente, cresci. 
    Me permitir levar por uma nova historia. Não uma dessas que a gente vê em fotos do facebook. Uma historia de verdade, daquelas que vou me lembrar pra sempre. Não só de como começou, mas de como um dia decidi me deixar levar por alguém, que assim como eu, se deixou permitir.

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