quarta-feira, março 27, 2013

Um tanto sem assunto



Caminhando sobre areia que arrasto entre minha saia longa no começo da praia, eu tenho a imagem de que as ondas do mar reservam um pouquinho de cada segredo escondido entre milhares de pessoas que escolhem esse lugar para fugir. O calor me apavora diante do suor que escorre sobre o meu rosto. Não sei se quero ficar aqui. Mas também não sei se quero voltar pra casa. Enquanto me decido, o céu se transforma em paisagem. E imagino o quão grande deve ser a quantidade de pessoas que olham para ele agora. E me lembro do dia em que me perguntaram se ao parar de sentir dor, eu pararia de escrever. A dor que pensei em carregar pelo resto da vida, evaporou, com a simples presença da felicidade que esplandeceu aqui. É como se tudo o que tivesse vivido em todos esses anos, se expandissem em apenas um choque. Hoje o que carrego em mim sobrevive apenas com um sorriso. E sim, eu parei de escrever sobre o que já não era mais preciso. E agora, depois de tantas tentativas e paginas arrancadas eu ainda tenho a dificuldade de encontrar algum assunto que me cabe as palavras. Mas que assunto? quais palavras? Se toda a dor do passado ficou para trás junto com a facilidade de sentir. Eu não sei. Não sabe do que? Não sei de nada, nem do que estou falando. E me perdi com a chuva que repentinamente desabou em mim. E continuei ali. Sozinha, como todas as vezes em que tentei me estabelecer em algum lugar. Mas dessa vez sem dor, sem engrandecer a palavra que desmoronou toda uma vida na qual escondeu todos os sentidos de uma ilusão qualquer.

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