sábado, setembro 22, 2012

Sonho vocacional



Quando criança, sonhava em ser dançarina do Faustão, mas aqueles corpinhos perfeitos e os movimentos corretos me faziam desistir. Depois eu pensei que ser ginasta me traria grandes benefícios  e eu fui a primeira da classe a conseguir escalar. Mas alguns animais sofriam ao ter que me largar, e sinceramente? Ser veterinária não era ainda o que eu queria. Meus cadernos eram cobertos de textos e folhas arrancadas, decidi ser escritora e publicar um livro. Apesar de achar que nenhum texto meu fazia muito sentido. Eu não sabia viajar sem cantar e compor ao mesmo tempo com a cabeça fora da janela, só que em algum momento eu cresci e passei a ter vergonha daquilo. Fiz da minha cama uma passarela e desfilei junto com a Gisele Bündchen na TV, pena que eu desenvolvi no busto um pouquinho a mais do que o esperado. Me chamaram de conselheira, e por algum momento eu pensei que poderia ajudar as pessoas com os seu problemas. Hoje eu curso o segundo período de psicologia, e descobri que quem mais precisa de ajuda sou eu. 
Alguém um dia me disse que não é só de sonho que se vive, mas que é preciso de um sonho para viver. Eu não tenho um sonho. E nunca fui muito de pensar no que fazer do futuro. Hoje me arrependo. Aquela responsabilidade e força de vontade nunca existiu por aqui, não me julgo péssima, mas me julgo sem motivos. Sem motivos para seguir em frente nessa nova jornada que me surpreende. Mas esse mesmo alguém também me disse que antes de pensar em desistir, tem que aprender a tentar.
Não estou com todas as minhas forças, nem com todo o meu conhecimento, mas estou tentando agora.

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