Seus olhos iluminados me traziam segurança, seu sorriso tão alegre me passava energia, sua barba crescendo arranhava ao me abraçar, mas la do alto eu não tinha como te larga. Seus alunos te respeitavam, e me olhavam desconfiados quando atrapalhava sua aula para te mostrar o meu mais novo desenho. Seus amigos eram tão engraçados e estranhos, hoje eu entendo o porque.
Você era tão inteligente, e no telefone eu imaginei suas lagrimas quando te dei a noticia: Eu reprovei. Você respirou, calou, e me fez chorar só por saber que te decepcionei.
Era prova de matemática quando acordei atrasada, e me assustei com a cena que vi. Oque aconteceu? Ninguém me respondeu. Eu não queria acreditar, eu não queria entender, ninguém podia me tirar você.
E você foi pra tão distante, me deixou na janela te esperando. E me apareceu em sonho. Você batia muito forte na porta, estava pedindo ajuda, meus pés não conseguiam sair do lugar e eu acordei.
Você faleceu. Nada foi tão duro quanto imaginar que não ia mais te ver, eu queria me arranhar na sua barba mal feita, queria brincar com as garrafas secas de cerveja que guardava no quintal, mas você não voltou.
Eu ainda estou na janela, dessa vez eu rezo pela sua paz, e te agradeço por ser quem era, por ser meu pai, por ser esse grande cara que eu vejo em retrato e me orgulho, me orgulho por ser sua filha, me orgulho por te amar.
Faz tanto tempo, mas parece que foi ontem. Você me abraçou, me beijou e disse que me amava.. pela ultima vez.
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